Depois de completar três anos de existência, mais uma vez o Misurato muda de aparência...

Mas, para variar, o objectivo principal deste Blog continua a ser o mesmo: divulgar a actividade musical em Portugal... Concertos, Festivais, Congressos, Conferências, Concursos, Novidades, Publicações...

Mas como não é fácil estar sempre em cima do acontecimento e às vezes o tempo acaba por escassear, qualquer sugestão dos leitores é uma mais valia para este Blog.

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A todos os que são habituais seguidores e àqueles que visitam o Misurato pela primeira vez, Muito Obrigada pela Visita!!!!

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Dez anos depois de Lomax

«Na década de 30, Alan Lomax começou uma Jukebox Global. Dez anos depois da sua morte, ela é uma realidade: 17 mil ficheiros áudio disponíveis gratuitamenteonline. Uma viagem a um mundo desaparecido.


É uma viagem a outro mundo. Os blues de Howlin' Wolf ou Son House. A luxúria rítmica das Caraíbas. Os melismas marroquinos e o sol que emana dos cantores italianos. A História está perante nós: programas de rádio, entrevistas de rua, fotos de cantores, bailarinos e suas comunidades. Alan Lomax é uma figura fundamental para o estudo da música do mundo e, dez anos depois da sua morte, em 2002, aos 87 anos, os seus arquivos estão agora online.

O sonho a que chamava Jukebox Global tem 17 mil ficheiros áudio gratuitos no site da Cultural Equity, gerida pela filha, Anna. Já todos ouvimos parte deles, mesmo que não na forma original: foi em samples ali recolhidos que Moby baseou o seu álbum mais conhecido,PlayAgora, está tudo na net, em culturalequity.org.

Em 1933, quando partiu para o Sul americano com o pai, John Lomax, musicólogo e folclorista, para registar as músicas tradicionais do seu país, Alan era um jovem idealista que interrompera os estudos para documentar para a Biblioteca do Congresso uma cultura desconsiderada. Por força do seu trabalho - e do de nomes como Harry Smith ou Moses Asch -, transformou essa música em força inescapável do tecido cultural americano. A eles se deve, por exemplo, o boom do folk e blues nos anos 1950 e 1960, de onde emergiriam Bob Dylan ou os Rolling Stones.

Como aponta Ruben de Carvalho, comissário do ciclo Hootenanny, que leva anualmente à Culturgest as músicas tradicionais americanas, "a cultura americana highbrow era a europeia, quando a cultura popular americana era fruto das misturas dos escoceses, judeus ou afro-americanos" que formavam o país. "A fixação desse património antes que se perdesse era fundamental". E "criou condições invulgares para que se desenvolvesse". Exemplo: o jazz é hoje uma cadeira nas universidades americanas; impossível sem esse património.

Guiado pelo pai, Alan gravou, ajudou a divulgar e legitimou nomes como Woody Guthrie, Leadbelly ou Muddy Waters. Só isso faria dele uma figura fulcral na história da música popular do século XX. Mas houve as edições discográficas, concertos e conferências, as publicações, os programas de rádio e, mais tarde, televisão. E não só nos Estados Unidos.

De esquerda, investigado pelo FBI, deixaria o sufoco maccartista no início da década de 50, rumo a Inglaterra. Depois, quis mais. Espanha, Itália, Rússia, Marrocos... Através da música, quis perceber o mundo. "Teve uma compreensão muito vasta das ligações entre música e dança e a sociedade", refere Salwa Castelo-Branco, directora do Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. Nascem desse desejo os projectos Cantometrics (canto),Choreometrics (dança) e Parlametrics (linguagem).


Foi via Cantometrics que Salwa conheceu Lomax. Na Universidade de Columbia, foi entrevistada para trabalhar no projecto. Desse contacto e das conferências a que assistiu ficou a imagem de "uma pessoa de grande energia, inteligentíssima, idealista, extremamente decidida". E não isenta de controvérsia. Salwa recorda que os Cantometrics foram criticados por se basearem em gravações, não em trabalho de campo, "o que acabou por resultar em conclusões não representativas". Ainda assim, mesmo os críticos não deixavam de lhe admirar a coragem e ambição".




Aquilo que guiou Lomax toda a vida foi a preservação de um mundo ameaçado: "Nós, do avião a jacto, do wireless e da explosão atómica, estamos à beira de varrer do globo o folclore não corrompido", disse. Salwa recorda um artigo da década de 70 em que Lomax refere o perigo do "acinzentamento cultural": "Não se falava ainda de globalização, mas ele estava preocupado com as influências das músicas mediatizadas, que acabavam por uniformizar práticas locais."


Ruben de Carvalho aponta nesse lamento uma contradição. "As circunstâncias que deram origem ao aparecimento de uma música popular urbana massificada e aculturada [a rádio, gravar som] são as mesmas que permitiram fixar e preservar essas tradições culturais." Lomax quis contornar a contradição ao tornar o registo do passado numa possibilidade de futuro. "Comparava a diversidade musical à biodiversidade", escreveu Jon Pareles no New York Times (NYT). "Para Lomax, cada estilo local representava uma forma de sobrevivência que poderia ser útil algum dia." A importância destes registos não se limita à preservação do passado, diz Ruben de Carvalho. "Fixa-se para que possamos lá voltar. Há um fenómeno curioso no jazz. Sempre que se chega a um impasse, como na passagem do swing para o bebop e daí para o cool, o avanço faz-se num regresso às raízes, ao blues." Trata-se de memória viva, para construir o que hoje somos. É por isso que Salwa Castelo-Branco se vem batendo pela criação em Portugal do Arquivo Fonográfico Nacional. Algo como aquilo que Lomax sonhou e que agora se tornou realidade.Vemo-lo, lemo-lo, ouvimo-lo. Um arquivo iniciado em 1933 nas prisões, com um gravador de cilindros que a viúva de Edison emprestara ao pai. Tem, segundo o NYT, cinco mil horas de gravações áudio, mais de 100 quilómetros de filme, três mil cassetes vídeo e cinco mil fotografias. O passado a ressoar no presente.

Ainda Pareles: "Lomax não estava interessado em vender álbuns. Estava a tentar assegurar que a Humanidade podia ouvir e respeitar as suas próprias vozes."»


Notícia retirada do Público online

Gravações disponíveis em: http://culturalequity.org/

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

José Afonso...

Não haverá muito mais a dizer... Vinte e cinco anos depois!







Seria impossível escolher uma, duas ou três canções preferidas... Ficam algumas das imensa que adoro!

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos 
(Aveiro, 2 de Agosto de 1929 - Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987)

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Inês de Castro

Já há algum tempo que prometi falar acerca deste livro... Recebi-o no Natal e comecei a lê-lo depois da "ressaca" do primeiro volume da trilogia Millenium... 
Inadvertidamente, pensei que um livro com um "aspecto tão calmo" não me poderia curar da "ressaca" em que me encontrava.

A verdade é que encontrei um livro fantástico que cruza dois planos temporais, mas que nos leva, sem que percebamos, directamente ao século XIV e à sua vida cortesã.
A escrita de María Pilar Queralt del Hierro, como eu própria a defini, não é pomposa como muitos dos romances e não nos deixa absolutamente confusos com os termos de um português mais arcaico (alguns romances precisam de um glossário a acompanhar a publicação)...




Bem, sem pseudo-análises literárias (que não é essa a minha função aqui), recomendo esta obra fantásticamente escrita e absolutamente aliciante, publicada pela Editorial Presença.

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

José Afonso

Sinceramente, não conhecia esta canção que vou postar... Descobri-a hoje, enquanto estou na biblioteca da FCSH, onde felizmente reina o silêncio absoluto, mas onde a vontade de trabalhar não é propriamente o que mais abunda (pelo menos a minha...). Estava eu aqui a ouvir algumas das canções interpretadas pelos cantores que participaram no programa e deparo-me com esta fantástica canção do Zeca Afonso! Apesar de proibido pela PIDE (na altura, eufemisticamente denominada de DGS) de participar no Zip-Zip, José Afonso proporcionou a presença de outros músicos.
Bem, esta canção está gravada no álbum Enquanto há força, de 1978, num período onde este intérprete (baladeiro, cantautor, cantor de intervenção...) se encontrava desanimado com o rumo que a revolução tinha tomado.
Espero que gostem da canção Tinha uma sala mal iluminada...


Tinha uma sala mal iluminada
Perguntavas pelo amigo e estava a monte
A fuga era a última cartada
A pide estava ali mesmo defronte

As vezes uma dúvida rondava
Valia ou não a pena o que fazias?
Se alguém caía um outro alevantava
O tronco que tombava e renascias

A velha história ainda mal começa
Agora está voltando ao que era dantes
Mas se há um camarada à tua espera
Não faltes ao encontro sê constante

Há sempre quem se prante à tua mesa
Armado em conselheiro ou penitente
A luta agora está de novo acesa
E o caminho é só um é sempre em frente

Perdeste a treino falta-te a paciência
Ouviste antes do tempo mil fanfarras
Já os soldados fazem continência
Ao som do choradinho e das guitarras

A velha história ainda mal começa
Agora esta voltando ao que era dantes
Mas se há um camarada à tua espera
Não faltes ao encontro sê constante

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

I Encontro Ibero-Americano de Jovens Musicólogos


«O primeiro encontro Ibero-Americano de Jovens Musicólogos tem por objectivo promover a circulação de informação nos campos da musicologia entre jovens musicólogos e estudantes de musicologia, através de um colóquio a ser realizado de 22 a 24 de Fevereiro de 2012.

O encontro é destinado aos estudantes de licenciatura e licenciados em Música e Ciências Musicais, aos mestrandos e mestres em Ciências Musicais, aos doutorandos e aos recém-doutorados (até três anos), que poderão participar através de comunicações e apresentação de posters sobre qualquer tema relacionado com a musicologia  ibero-americana ou internacional. O Encontro também pretende realizar três concertos compostos por ensembles ou solistas que estiverem a participar do evento, e que se propuserem a executar obras relativas aos temas das comunicações apresentadas. As actas serão publicadas no site do Encontro e a comissão científica selecionará algumas das comunicações para serem publicadas posteriormente.

A comissão científica é composta por alguns doutorados e doutorandos provenientes de Portugal, Brasil, Espanha, Colômbia e Estados Unidos, e conta com o apoio da Tagus-Altanticus Associação Cultural, do CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), do INET-MD (Instituto de Etnomusicologia, Musica e Dança), da SPIM (Sociedade Portuguesa de Investigação em Musica), da JAM (Joven Asociación de Musicología de Espanha), da Casa da América Latina de Lisboa, do Gambinete para os Meios de Comunicação Social - Palácio Foz, do Museu da Musica de Lisboa e e da TAP Portugal, transportadora oficial do evento.»

Organização: Musicologia Criativa
Poderá consultar o programa em: http://www.musicologiacriativa.com/#!__programa

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Master class Convento de Cristo - Tomar

Não fazendo a menor ideia acerca da existência de um Centro de Estudos Superiores de Música e das Artes do Espectáculo (Cesmae), integrado no Instituto Politécnico de Tomar (ignorância minha... certamente...), hoje, em visita ao website do referido Instituto Politécnico, verifiquei que, não só existe este Centro de Estudos, como está a organizar Master classes de Trompete e de Tuba no Convento de Cristo...
Espero sinceramente que as actividades continuem e que este espaço seja, não só um importante pólo de dinamização cultural, numa cidade que tem estado verdadeiramente morta no que toca à cultura, mas que seja igualmente um importante espaço de investigação. Espero também que as suas actividades proporcionem a dinamização cultural do Convento de Cristo...


Assim, as aulas decorrerão entre 29 de Março e 2 de Abril no Convento de Cristo e os concertos dos professores realizar-se-ão nos dias 31 de Março (Trompete) e 1 de Abril (Tuba).

Fica também aqui o link do CESMAE

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Millenium

Até agora ainda não tinha escrito nada sobre livros, dedicando-me à escrita (que de há algum tempo para cá tem sido escassa) apenas sobre música... Mas como a leitura, para mim, é tão fascinante como a música, lembrei-me de publicar um post acerca de um livro que "devorei" em pouco mais de uma semana (coisa que também não acontecia há imenso tempo). A verdade, é que fiquei completamente agarrada ao livro... É sabida a minha preferência por livros policiais, mas este realmente cativou-me... 
Estou a falar do primeiro volume da trilogia Millenium - Os homens que odeiam as mulheres - do sueco Stieg Larsson.
A conjugação entre o mistério de um desaparecimento ocorrido quarenta anos antes, a criminalidade financeira e as suas inúmeras "rasteiras" e ainda os diversos homens que odeiam as mulheres... mulheres como a protagonista, cuja complexidade psicológica fica por desvendar completamente neste primeiro volume, e não só... deixa o leitor (pelo menos os leitores como eu) a juntar as peças e a tentar desvendar o mistério... 
O ritmo da acção é cativante e não são as descrições pormenorizadas (mas bem proporcionadas) que tornam este livro cansativo... antes pelo contrário.
Em suma, adorei o livro e já tenho cá em casa os outros dois volumes (que ainda estão na prateleira, não por falta de uma enorme curiosidade, mas porque entretanto comecei a ler outro óptimo livro...).
Bem, agora estou à espera da estreia do novo filme e de uma boa oportunidade para o ver, assim como espero ver entretanto os filmes suecos...

Fica então aqui o site dedicado ao autor:

Os trillers dos filmes suecos:





O triller do filme americano:




A página oficial do filme:
http://www.dragontattoo.com/site/

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Bom 2012

Depois de uma passagem de ano com uma banda sonora que maioritariamente foi do meu agrado (o que às vezes é impossível se passarmos várias horas em bares cheios de gente), aproveito para deixar algumas sugestões...  Aproveito igualmente para desejar a todos os leitores do misurato um óptimo ano de 2012... 

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Boas Festas

O Misurato deseja a todos os seus leitores um Natal muito feliz e um ano de 2012 repleto de coisas boas!!!!

Obrigada pela vossa preferência!

Nat King Cole para relembrar a minha infância!!!


Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Fado


Há uma notícia que já devia ter dado há dias, mas a verdade é que vem sempre a tempo....
Desde Domingo passado que o fado é património intangível da humanidade.
Na Casa da Música onde, na altura, decorria o I Encontro Nacional de Investigação em Música a notícia chegou ao fim da manhã com enorme entusiasmo. Alguns dos que tinham trabalhado no projecto da candidatura estavam presentes neste encontro viram o seu trabalho recompensado.
Finalmente, o fado é reconhecido internacionalmente...

Podemos consultar parte do trabalho de recolha de fonogramas de fado realizado pela equipa de investigadores do INET-MD (Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança - FCSH-UNL) que resulta do trabalho de vários anos de investigação acerca desta prática musical urbana. Esta base de dados pode ser consultada: http://www.fcsh.unl.pt/fonogramas/


No website da UNESCO é possível consultar esta e outras candidaturas que venceram este ano.

Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011