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sábado, 18 de agosto de 2007

Bedrich Smetana - Má Vlast (A minha nação), seis poemas sinfónicos

É ao século XIX que sistematicamente associamos as manifestações musicais de carácter nacionalista, apesar de estas serem uma constante ao longo dos séculos. No entanto, é neste século que surge todo um ambiente que proporciona esta preocupação sistematizada em captar este “espírito nacional” e, ao mesmo tempo, a sua maior projecção. Neste contexto de ruptura com os velhos ideias e com os velhos impérios, a literatura assume um papel de suma importância, abrindo caminho a um novo género musical que lhe está intimamente associado e cuja criação associamos a Liszt, o poema sinfónico.
Mais uma vez falo-vos deste género e desta corrente nacionalista, mas agora caminhamos um pouco mais para sudoeste. Apesar dos quilómetros de distância e dos anos que separam estas obras, as aspirações ideológicas são as mesmas: os problemas relacionados com o domínio por parte de um grande império, a necessidade de uma afirmação nacional…
Tal como Sibelius é considerado a "voz" da música finlandesa, também Bredrich Smetana é considerado o “pai da música checa”, não só pelo seu importantíssimo papel no campo operático, como também pela sua música orquestral. Não seria o facto de este compositor estar bastante familiarizado com a música de cultura germânica que o tornaria menos capaz de captar todo o espírito musical checo e Ma Vlast é a prova disso. Este conjunto de seis poemas sinfónicos foi composto entre 1874 e 1879, altura bastante difícil da sua vida, devido à progressiva perda de audição, mas também altura em que esteve intimamente ligado à causa da emancipação checa, daí que possamos encontrar várias temáticas neste poemas, como lendas nacionais que espelham o “nascimento” daquele território como nação (Vysehrad e Sárka); poemas que descrevem as paisagens destas região (Z ceských luhu a háju - Pelas florestas e bosques da Boémia e Vltava - Moldava); e poemas que se referem a guerras contra o domínio austro-húngaro (Tábor e Blaník). Tendo sido concebidos separadamente, a sua estreia como ciclo completo deu-se em Novembro de 1882 num acontecimento cultural com o objectivo celebrar o reconhecimento de Smetana como compositor, no entanto, em todos eles encontramos ecos dos restantes.
Esta obra sem precedentes na produção musical deste país surge numa altura em que a história e os valores nacionais assumiam uma enorme importância na sociedade checa, não só pela glorificação da sua terra natal, mas também por se afirmar como a representante do estilo musical checo.
Poderia descrever-vos pormenorizadamente cada um destes magníficos poemas, mas apenas quero despertar a vossa curiosidade e convidar-vos a uma audição descontraída, onde poderão facilmente encontrar os elementos identificadores dos vários poemas.


1 comentário:

Hugo Cristóvão disse...

Muito Bem!
Espero que o teu blogue esteja para durar e se precisares dumas dicas para o "tuninguificares" um bocadinho, pois solicita.

Um beijo para ti e um abraço para o Adónis.
Não se esqueçam de vir à terrinha de vez em quando.