Depois de completar três anos de existência, mais uma vez o Misurato muda de aparência...

Mas, para variar, o objectivo principal deste Blog continua a ser o mesmo: divulgar a actividade musical em Portugal... Concertos, Festivais, Congressos, Conferências, Concursos, Novidades, Publicações...

Mas como não é fácil estar sempre em cima do acontecimento e às vezes o tempo acaba por escassear, qualquer sugestão dos leitores é uma mais valia para este Blog.

Deixem os vossos comentários e sugestões!

A todos os que são habituais seguidores e àqueles que visitam o Misurato pela primeira vez, Muito Obrigada pela Visita!!!!

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

«Nasceu Zip. Ar fresco nos barracões da RTP»: O papel do programa Zip-Zip na divulgação da música em Portugal no final da década de 1960





Próximo Sábado, dia 31, 16h, Serviço Fonoteca, Biblioteca Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa
Na passada segunda-feira, dia 26 comemorou-se o 45º aniversário da estreia do Zip-Zip... Pela primeira vez, a canção de intervenção pôde ser transmitida pela televisão!











segunda-feira, 8 de abril de 2013

Morre o realizador do Zip-Zip


Partilho convosco o artigo publicado pelo Jornal O Público, no dia 6 de Abril, por Jorge Mourinha e Marisa Soares.
«Antes de cada nova emissão, dizia aos colegas: “Fala o comandante, vamos levantar voo”. Quando abandonou a RTP em 2007, disse: “Meus senhores, vamos aterrar”. Luiz Andrade, uma das figuras-chave da televisão em Portugal, faleceu ao início da tarde deste sábado em Lisboa, onde se encontrava hospitalizado há alguns dias.
A RTP era a sua “família” e, mesmo depois de se ter “reformado” da estação continuava a ser “da família”. Não apenas por os seus três filhos terem feito carreira no canal público – Serenella, locutora e apresentadora, Hugo, responsável pelo canal de cabo RTP Memória, promovido a actual director de programas, e Ricardo, também profissional da estação.



É que, como com poucos outros, a história da televisão em Portugal é indissociável dos 44 anos que Luiz Andrade passou na RTP, de 1963 a 2007. “A minha mulher costuma dizer que eu me casei com a RTP e não com ela”, disse quando abandonou a direcção de programas em 2005. Num comentário feito à Antena 1, Margarida Mercês de Mello, que conviveu com Andrade quando se iniciou na estação na década de 1970 como locutora de continuidade, lamentava que não existisse nenhum registo das recordações do antigo realizador e director de programas, que esteve ligado a algumas das emissões mais memoráveis do canal.

Foto: Revista Rádio e Televisão, 17/05/1969

É o caso do lendário Zip-Zip de Carlos Cruz, José Fialho Gouveia e Raul Solnado, verdadeiro símbolo televisivo da Primavera Marcelista, que se tornou num fenómeno sem paralelo no Portugal de 1969 e cuja primeira emissão foi para o ar sem ensaio prévio. Ou ainda do concurso A Visita da Cornélia, apresentado por Solnado e criado pelo actor e por Fialho Gouveia, que fez parar o país em 1977.

Andrade dirigiu igualmente os Jogos sem Fronteiras, uma dúzia de edições doFestival RTP da Canção, programas como o Sabadabadu (com Ivone Silva e Camilo de Oliveira) e muitos especiais musicais, para os quais os seus estudos provaram ter especial importância. O realizador começou por ser cantor de ópera, profissão que exerceu um pouco por todo o mundo durante oito anos, antes de decidir abandonar o canto. Pouco depois do regresso definitivo a Lisboa, em 1963, foi convidado para se juntar à RTP, convite que aceitou com a exigência de ir “ver como se fazia lá fora”, visitando no processo várias televisões europeias.

Ao longo de quase meio século, Andrade exerceu igualmente uma série de cargos administrativos dos quais o mais importante terá sido a responsabilidade pela programação ao longo de vários períodos a partir de 1983, o último dos quais entre 2002 e 2005. Num texto colocado na rede social Facebook, Nuno Santos, que foi adjunto de Andrade durante esse período e lhe sucedeu como director de programas em 2005, lamenta o desaparecimento de um “príncipe da televisão”, um “(quase) pioneiro” a quem a RTP devia muito.

Com a morte de Luíz Andrade perdeu-se "um romântico", afirmou à Lusa o apresentador de televisão Júlio Isidro, sublinhando que partiu "a pessoa que mais amava a RTP na história destes 56 anos de televisão em Portugal". Isto porque o realizador tinha "um profundo amor pela sua casa, a casa em que nunca deixou de participar mesmo nestes anos em que já estava teoricamente afastado", recordou.

A colaboração de Luíz Andrade com a RTP terminou com a coordenação das comemorações do 50º aniversário da RTP em 2007, sendo agraciado em 2008 com a Ordem de Mérito atribuída pelo Presidente da República. Em entrevista há ano e meio à revista Nova Gente, manifestava-se contra a eventual privatização da estação, entendendo que o serviço público devia “servir as pessoas, educar e promover a cultura” e que devia passar ao lado da guerra das audiências.

Em comunicado, o Conselho de Administração da RTP lembra que Andrade era "dos profissionais mais respeitados da televisão portuguesa" e que "a ele se devem muitos dos bons momentos de televisão a que gerações de portugueses assistiram e que ainda recordam". Recordando que o antigo director de programas era "dotado de um trato exemplar" e que era "muito querido de todos os colegas e de quantos com ele trabalharam", a administração da RTP sublinha: "Hoje Portugal e a RTP ficam mais pobres."

O corpo de Luíz Andrade vai estar em câmara ardente na Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres, em Lisboa, a partir das 11h30. O funeral está marcado para segunda-feira: a missa é às 9h30 e o corpo segue depois para o cemitério do Alto de São João, às 10h30.»


sábado, 16 de março de 2013

«Duas horas vivas numa TV morta»: Zip-Zip, Música e Televisão no preâmbulo da democracia em Portugal

Realmente já devia ter postado esta mensagem há imenso tempo...


Defendida no dia 19 de Junho de 2012 (na FCSH-UNL), esta é a minha dissertação de Mestrado: «Duas horas vivas numa TV morta»: Zip-Zip, Música e Televisão no preâmbulo da democracia em Portugal, orientada pelo Professor Doutor João Soeiro de Carvalho.


Esta dissertação resulta do trabalho de investigação que realizei entre 2009 e 2012, não só sobre a importância deste programa no panorama musical do final da década de 1960, como inclusivamente sobre a história da televisão em Portugal e a história da canção de intervenção. Para além da pesquisa bibliográfica e da pesquisa na imprensa da época, foram fundamentais as entrevistas realizadas com os intervenientes neste programa (tanto da produção do programa como os intérpretes presentes) que se mostraram sempre disponíveis para colaborar e cuja colaboração foi fundamental para a construção deste trabalho.



Sobre este trabalho foram já apresentadas três comunicações em conferências (ver: INET-MD).





(à esq. Amália Rodrigues no Zip-Zip, Junho 1969; à dir. Francisco Fanhais no Zip-Zip, Julho, 1969)

RESUMO:
«A 26 de Maio de 1969 surge na televisão portuguesa o primeiro talk-show da RTP. Num formato televisivo inovador em Portugal, o Zip-Zip combinou eficazmente a música, as entrevistas e os sketches humorísticos. Com produção e apresentação de Raul Solnado, Carlos Cruz, Fialho Gouveia e José Nuno Martins, o Zip-Zip dá um espaço relevante a novos intérpretes, novos géneros e novos formatos performativos. Em palco, a Orquestra-Zip - um combo de Jazz formado por experientes músicos dirigidos por Thilo Krassman. O programa traz assim algumas horas de vida a uma TV que, no entender de Mário Castrim, se encontrava “morta”. O programa surge num clima de turbulência social ao nível internacional e numa época marcada pela expectativa de mudança política em Portugal, que alguns intitularam “Primavera Marcelista”, mas que outros pensam não ter sido mais que um “Outono” do Regime. A presente dissertação tem como objectivo demonstrar de que forma um programa televisivo, o Zip-Zip, aparece como um instrumento privilegiado na transformação dos modelos televisivos da música em Portugal, de que forma veiculou a chamada canção de intervenção e de que modo se afigurou enquanto espaço de difusão de novos intérpretes. Utiliza, em particular, a discussão de Simon Frith na abordagem aos modelos de mediação musical; o quadro conceptual discutido por Côrte-Real relativamente ao comportamento expressivo; e aborda também a problemática da censura durante o Estado Novo.»


O trabalho sobre o Zip-Zip ainda vai continuar...
O trabalho sobre a relação entre música e a televisão portuguesa também... Segue-se o Doutoramento.




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

José Afonso

Sinceramente, não conhecia esta canção que vou postar... Descobri-a hoje, enquanto estou na biblioteca da FCSH, onde felizmente reina o silêncio absoluto, mas onde a vontade de trabalhar não é propriamente o que mais abunda (pelo menos a minha...). Estava eu aqui a ouvir algumas das canções interpretadas pelos cantores que participaram no programa e deparo-me com esta fantástica canção do Zeca Afonso! Apesar de proibido pela PIDE (na altura, eufemisticamente denominada de DGS) de participar no Zip-Zip, José Afonso proporcionou a presença de outros músicos.
Bem, esta canção está gravada no álbum Enquanto há força, de 1978, num período onde este intérprete (baladeiro, cantautor, cantor de intervenção...) se encontrava desanimado com o rumo que a revolução tinha tomado.
Espero que gostem da canção Tinha uma sala mal iluminada...


Tinha uma sala mal iluminada
Perguntavas pelo amigo e estava a monte
A fuga era a última cartada
A pide estava ali mesmo defronte

As vezes uma dúvida rondava
Valia ou não a pena o que fazias?
Se alguém caía um outro alevantava
O tronco que tombava e renascias

A velha história ainda mal começa
Agora está voltando ao que era dantes
Mas se há um camarada à tua espera
Não faltes ao encontro sê constante

Há sempre quem se prante à tua mesa
Armado em conselheiro ou penitente
A luta agora está de novo acesa
E o caminho é só um é sempre em frente

Perdeste a treino falta-te a paciência
Ouviste antes do tempo mil fanfarras
Já os soldados fazem continência
Ao som do choradinho e das guitarras

A velha história ainda mal começa
Agora esta voltando ao que era dantes
Mas se há um camarada à tua espera
Não faltes ao encontro sê constante

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Estava eu mais uma vez a ganhar coragem (e como preciso dela...) para continuar a dissertar sobre o Zip-Zip e lembrei-me de ouvir o que cantam/cantaram os intérpretes presentes neste programa... Eis que...


Intérprete: Francisco Fanhais; Poema: Sophia de Mello Breyner

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.




Música e interpretação: Manuel Freire; Letra: António Gedeão

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho álacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral
Pináculo de catedral
Contraponto, sinfonia
Máscara grega, magia
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da Boa Esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança




Intérprete: Ruy Mingas

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Zip-Zip



Em trabalhos com a minha Dissertação de Mestrado e a precisar de informações sobre o programa Zip-Zip (1969)...

Quem souber de algo, não hesite em contactar-me!