Depois de completar três anos de existência, mais uma vez o Misurato muda de aparência...

Mas, para variar, o objectivo principal deste Blog continua a ser o mesmo: divulgar a actividade musical em Portugal... Concertos, Festivais, Congressos, Conferências, Concursos, Novidades, Publicações...

Mas como não é fácil estar sempre em cima do acontecimento e às vezes o tempo acaba por escassear, qualquer sugestão dos leitores é uma mais valia para este Blog.

Deixem os vossos comentários e sugestões!

A todos os que são habituais seguidores e àqueles que visitam o Misurato pela primeira vez, Muito Obrigada pela Visita!!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Música Viva 2008

Por mais um ano consecutivo, a Miso Music Portugal organiza o Festival Música Viva, este ano com espectáculos no Mosteiro dos Jerónimos, Fundação Gulbenkian e Centro Cultural de Belém. Desta forma, entre 19 e 27 de Setembro a música de vanguarda tem o papel principal na cultura lisboeta.

19 de Setembro, 22h, Mosteiro dos Jerónimos:
- Orquestra Metropolitana de Lisboa
Génese da orquestra com electrónica

20 a 27 de Setembro, CCB - Caminho Pedonal
- Sound Walk
Passeio electroacústico

20 a 27 de Setembro, CCB - Bengaleiro Norte
- Interactive Lounge
Criações transdisciplinares e ponto de encontro

20 de Setembro, 16h e 21 de Setembro, 18h
- n_ano [4x] - Simão Costa
Performance para piano, disklavier e computador

20 de Setembro, 17h, CCB - Auditório Luís de Freitas Branco
- Sond'Art Electric Ensemble
Metamorfoses da música instrumental

20 de Setembro, 21h, Fundação Gulbenkian - Grande Auditório
- Orquestra Gulbenkian
A nova tradição

23 de Setembro, 11h, CCB - Sala de Ensaio
- Contos Contados... Cantados com Som
Teatro electroacústico para público infantil

23 de Setembro, 19h, CCB - Sala de Ensaio
- José Machado
Violino e Electrónica

23 e Setembro, 21h, CCB - Pequeno Auditório
- Orquestra de Altifalantes I
Laboratórios de criação: Lisboa/Berlim

24 de Setembro, 19h, CCB - Sala de Ensaio
- Vox Vocis
Espectáculo Intermédia

24 de Setembro, 21h, CCB - Pequeno Auditório
- Quasars Ensemble e Orquestra de Altifalantes II
Confronto de Estéticas

25 de Setembro, 19h, CCB - Sala de Ensaio
- Nuno Pinto
Clarinete e Electrónica
- Duo Con:Fusion
Teatro Musical e Vídeo

25 de Setembro, 21h, CCB - Pequeno Auditório
- Orquestra de Altifalantes III
Electroacústica canadiana e premiados de concurso de composição Música Viva 2008

26 de Setembro, 11h, CCB - Sala de Ensaio
- Contos Contados... Cantados com Som
Teatro electroacústico para público infantil

26 de Setembro, 19h, CCB - Sala de Ensaio
- Quinteto Diaphonia
Quinteto de Sopros

26 de Setembro, 21h, CCB - Pequeno Auditório
- Crash Ensemble
Rockers

27 de Setembro, 15h30, CCB - Sala de Ensaio
- Contos Contados... Cantados com Som
Teatro electroacústico para público infantil

27 de Setembro, 21h, CCB - Auditório Luís de Freitas Branco
- Smith Quartet - "Circuits"
Quartetos de cordas com electrónica

As Lições dos Mestres no CESEM

O Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical organiza mais um ciclo de conferências. Todas as conferências têm lugar no Auditório 2, Torre B, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

- 17 de Setembro, 17h - How the brain dances music and music dances the brain: a process generating emotions - Prof. Doutor Manfred Clynes

- 19 de Setembro, 17h - Theatre for very young children - Prof.ª Doutora Katalin Kozak

- 25 de Setembro, 10h30 - Debate e Brainstorming: Em torno da construção de um teste de avaliação de desempenho rítmico - Apresentação de trabalhos em curso por Tiago Veiga (bolseiro da FCT)

- 25 de Setembro, 13h - Musical aptitude: the most recent research findings - Prof. Doutor Edwin Gordon

Percursos da Música Portuguesa

Já a partir do próximo Sábado, dia 13 de Setembro, às 12h30, a RDP2 transmite o ciclo de programas «Percursos da Música Portuguesa», que conta com a concepção e apresentação do maestro Jorge Matta.
Este é um projecto inédito na divulgação da cultura portuguesa, envolvendo uma variedade de investigadores e intérpretes nacionais e abrangendo, por ordem cronológica aproximada, toda a história da actividade musical em Portugal.
Com toda a certeza, um programa a não perder!

sábado, 23 de agosto de 2008

Le Sacre du Printemps - Stravinsky

Isto de não se fazer nada nas férias de Verão é muito cansativo... Daí que as minhas publicações sobre os Ballets Russes estejam a andar devagarinho!

Mais uma vez, vou falar-vos de uma composição de Stravinsky, não só por ser um dos meus compositores favoritos, mas também porque muita gente já ouviu a sua música, mas pouco sabe sobre ela.

Com este bailado, o compositor reinventa, mais uma vez, a cultura popular russa, evocando os rituais pagãos da chegada da Primavera. Como várias outras obras desta companhia, também a estreia de A Sagração da Primavera, em 1913, foi marcada pela controvérsia, apesar do ambiente cosmopolita da cidade de Paris.
Stravinsky quase que não insere motivos folclóricos, mas o carácter repetitivo e os pequenos motivos recorrentes em toda a obra transportam-nos para uma «memória folclórica inconsciente». Além do jogo de timbres conseguido pelo uso de uma grande orquestra, há um intenso jogo rítmico, onde as mudanças de métrica se vão sucedendo, jogo esse extremamente bem captado pela coreografia de Nijinsky.


O bailado está dividido em duas grandes partes: I. A adoração da Terra e II. O Sacrifício, sendo estas duas partes subdivididas.

I. A adoração da Terra
1. Introdução - A obra inicia-se com um solo de fagote no registo agudo. A sua métrica irregular confere-lhe um carácter de inquietude;
2. Os presságios de Primavera - Dança dos adolescentes - Violento e obsessivo staccato das cordas, com intervenções contrastantes do fagote;
3. Jogo do Rapto - Violência e vivacidade com intervenções agressivas dos metais;
4. Rondas de Primavera - Depois de dois episódios intensos, este jorovod com efeitos de politonalidade e dissonância;
5. Jogo das aldeias rivais - Dois temas diferentes que se transformam e quatro grupos temáticos;
6. Cortejo do Sábio - Procissão solene, mas de carácter violento;
7. Adoração da Terra - O Sábio - Apenas quatro compassos em pianissimo com notas sustentadas;
8. Dança da Terra - Grande crescendo a partir do desenho rítmico do timbale. A cena mais violenta da primeira parte.


II. O sacrifício
9. Introdução - Largo - Sobreposição de timbres e vozes, evocando o caos;
10. Círculos misteriosos das adolescentes - Repetição de motivos rituais, nas cordas, nas flautas, nas trompas, nas madeiras e nas cordas;
11. Glorificação da Eleita - Sensação de espasmos através das repentinas mudanças rítmicas
12. Recordações dos antepassados - Um coral que unifica a solenidade deste ritual e a perturbação pelas chamadas dos sopros;
13. Acção ritual dos antepassados - Ritmo 4/4 muito marcado pelo bombo e pelos timbales;
14. Dança sagrada - A Eleita - Dança do sacrifício, destinada a uma só personagem, a Eleita. O começo pausado culmina em várias sobreposições: rítmicas, tímbricas e métricas, acentuadas pela aceleração do tempo, dando a imagem do caos original.




Versão de 1987

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Uma nova imagem

Finalmente consegui que o Misurato ficasse com um "novo look"...
Apesar desta mudança, o cuidado com a divulgação da música erudita é o mesmo...
Por isso, espero que os fieis leitores continuem a visitar o Misurato e que novos cibernautas conheçam também este espaço, aproveitando as sugestões que dou para passar da melhor forma o seu tempo livre.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

...

Empreendi a árdua tarefa de mudar a imagem ao Misurato...
No entanto, são 4h da manhã e ainda não consegui deixar o blogue com a imagem que pretendo. Por isso, durante todo o fim de semana este blog vai ficar com uma configuração provisória!

Desculpem caros leitores...
Para a semana e para comemorar o seu primeiro aniversário, o Misurato estará online de "cara lavada"!
Obrigada pela compreensão...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Daphnis et Chloé

Daphnis et Chloé de Maurice Ravel foi encomendada por Diaghilev para os seus Ballets Russes em 1909, sendo estreada apenas três anos mais tarde no Théâtre du Châtelet, tendo Nijinska e Karsavina nos papéis principais. O carácter meticuloso do compositor chocou várias vezes com as concepções coreográficas de Fokine com quem trabalhou desde início, daí a demora em concluir este bailado de um só acto, dividido em três partes, que requer uma grande orquestra e um coro. A estreia a 8 de Junho de 1912 não obteve grande sucesso. Em parte devido à falta de ensaios, mas também pela estreia, dez dias antes, de L’áprès-mídi d’un Faune de Debussy com a sua chocante coreografia.
A primeira cena passa-se no bosque sagrado dedicado ao Deus Pan. Daphnis e Chloé entram no bosque onde distribuem oferendas pelas ninfas. No meio da dança, Daphnis é cercado por raparigas e Chloé por rapazes, sendo assediada por Dorcon que a tenta beijar, mas Daphnis, furioso, entra em disputa, acordando que quem dançar melhor merecerá um beijo de Chloé. A dança de Dorcon é bastante primitiva, ao contrário da de Daphnis que é repleta de movimentos graciosos. A vitória de Daphnis é unânime, deixando-o em êxtase. Entra, então, em cena Lycerion que o tenta atrair através da sua dança. Entretanto, sons de combate são ouvidos ao longe e entra um bando de piratas que perseguem as donzelas, acabando por raptar Chloé. Daphnis, sem poder salvar a sua amada, cai inanimado e as ninfas, na impossibilidade de o reanimar, chamam Pan.
Surge o segundo cenário. O esconderijo dos piratas. Daphnis que é levada ao encontro do chefe dos piratas é obrigada a dançar. O cenário enche-se de luzes e surgem em cena os Sátiros que cercam os piratas. É então que aparece o Deus Pan que consegue que os piratas fujam.
O bailado termina com o primeiro cenário, aparecendo Daphnis e Chloé juntos de novo, comemorando com uma cena mímica onde são evocados Pan e Syrinx. A cena termina com um grande bailado onde todos se juntam.
Maurice Ravel foi buscar a sua inspiração para esta história ao romance de Longus, um escritor grego, provavelmente proveniente da ilha de Lesbos. Devido ao nível de sofisticação da escrita deste autor e à sua talentosa capacidade de misturar a típica novela romântica grega e a poesia pastoral, muitos estudiosos posicionam-no no segundo período sofístico (século segundo d.C.).

Algumas imagens da época

2ª Parte - Royal Ballet - Covent Garden

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Petrushka - 1911

Stravinsky compôs Petrushka entre 1910 e 1911, mais uma vez para responder à encomenda de Diaghilev tendo, então, sido estreado no dia 13 de Junho de 1911 no Teatro Chatelet sob a direcção de Pierre Monteux e com Vasval Nijinsky no papel principal. O libreto é de Benois e a coreografia de Fokine. Este ballet em 4 cenas (I. A feira de Shrovetide; II: O quarto de Petrushka; III. O quarto de Moor; IV. A feira de Shrovetide) foi adaptado em 1914 para uma suite orquestral e, em 1945, Stravinsky novamente refaz a sua orquestração.
Esta é a história de uma marioneta tradicional russa muito usada nas festividades Shrovetide e que, apesar de feita de palha, tem vida e capacidade para amar. O compositor contribui, desta forma, para a «criação da autenticidade na representação das festividades Shrovetide, sugerindo a introdução do mascarado tradicional russo, embora o seu conhecimento acerca dele certamente adviesse através da participação do seu pai em O poder do amigo de Serov, no Teatro Mariinsky» (segundo Bartlett, in The Cambrige Companion to Stravinsky, 2003). A figura de Petrushka é recorrente desde muito cedo em teatros de carácter improvisatório, executados em feiras e no Carnaval na Rússia.
Depois de aberto o pano que, curiosamente, está decorado com a figura de um mágico sentado numa nuvem, a primeira cena passa-se num cenário de feira que, devido ao extraordinário trabalho de cenografia, espantou os espectadores na estreia, devido ao pormenor com que retratava o ambiente de feira urbana. Através da música, Stravinsky consegue espelhar bem a confusão que se instala na feira, aparecendo, então, o Mago com as marionetas de Petrushka, da bailarina e do mouro. Através da sua flauta, o Mago dá vida às suas marionetas que executam uma vigorosa dança russa, para espanto dos presentes.
A segunda cena passa-se no quarto de Petrushka. A escuridão desta dependência espelha o estado de espírito da marioneta e o retrato de Mago, aliás o único elemento decorativo neste ambiente soturno, faz com que Petrushka nunca se esqueça da sua condição de mera marioneta.
A terceira cena é passada no quarto do Mouro que, contrariamente ao de Petrushka, está ricamente decorado. A Bailarina é colocada na sala do Mouro ficando fascinada com a riqueza daquele quarto e esquecendo a declaração de amor que Petrushka lhe fizera. Petrushka, que havia conseguido sair do seu quarto, vê a Bailarina e o Mouro a dançar e decide atacar o Mouro que, não sendo abalado com o ataque de Petrushka, o persegue.
A última cena passa-se no ambiente de festividade inicial. Petrushka surge em cena perseguido pelo Mouro que o consegue agarrar e, por fim, matar. O Mago é chamado para acalmar a multidão, mas apenas sacode o cadáver, lembrando, mais uma vez, que Petrushka não passava apenas de uma marioneta. Com o cair da noite, o espírito de Petrushka é avistado no cimo do telhado do pequeno teatro de marionetas assombrando o velho Mago.
Mais uma vez, a perfeita fusão entre música, literatura, bailado e cenografia aponta-nos para o desejo de criar uma obra de arte una, muito ao jeito de Wagner e da sua “obra de arte total”. Benois havia prometido nunca mais trabalhar com os Ballets Russes após a estreia de Scherezade, mas depois de vários pedidos, decide elaborar a história em colaboração com o próprio Stravinsky que já tinha bastantes ideias acerca da música. A música foi criticada, mas é com Petrushka que Stravinsky começa a afirmar a sua linguagem musical, desligando-se do papel de “protegido” de Rimsky-Korsakov, apresentado um ponto de vista neo-nacionalista. Esta obra está carregada de canções folclóricas russas urbanas e rurais, sendo deliberada a adopção do estilo folclórico para criar algo inteiramente novo e diferente.
É no início do Séc. XX que se começa a acentuar o interesse pela música folclórica, aparecendo grupos de pesquisa e recolha um pouco por todo do mundo em busca do “autêntico”. Esse material serve, então, de inspiração para muitos compositores e Stravinsky é exemplo disso. Para a composição deste bailado, o compositor contou com a ajuda da recolha feita pelos etnógrafos Yuly Melgunov e Evgeniya Lineva que levaram a cabo uma pesquisa muito mais rigorosa do que as feitas anteriormente, fazendo uso do fonógrafo (certamente a invenção do século para estes estudiosos) e transcrevendo performances de grupos. A publicação destas transcrições, entre 1904 e 1909 permitiram pela primeira vez o estudo da música folclórica russa e forneceram a Stravinsky uma inspiração preciosa para este bailado.

Primeira cena

Segunda cena

Terceira cena

Quarta cena - final

sábado, 12 de julho de 2008

L'Oiseau de Feu

O início do Séc. XX é marcado pela grande procura da inovação, principalmente nas artes. Novas soluções artísticas começam agora a responder a esta necessidade. Diaghilev teve um papel fundamentar nesta busca pelo novo. Através dos seus Ballets Russes, este empresário convidou artistas que, apesar de quase desconhecidos na altura, hoje se apresentam como algumas das figuras mais marcantes deste início de século, tanto na música, como na pintura ou no bailado.
Um desses casos de sucesso é Igor Stravinsky (Oranienbaum 1882- Nova Iorque 1971). «Stravinsky nasceu na cúspide de duas eras distintas, num ponto fulcral na história cultural da Rússia.» (segundo Bartlett, in The Cambrige Companion to Stravinsky, 2003). O ano anterior ao nascimento de Igor havia sido marcado pela morte de Dostoevsky e Mussorgsky e pelo assassínio do Czar Alexandre II. Estes acontecimentos marcaram o fim de uma época de grandes reformas e de um relativo liberalismo. «Desta forma, Stravinsky nasceu numa altura de desânimo comum entre a população russa.» (Bartlett). Com a ascensão de Alexandre III, dá-se um período de russificação, marcado pela estagnação e pela repressão.
Igor cresceu num ambiente propício em termos culturais. O seu pai era cantor na Ópera Russa em São Petersburgo e tinha uma imensa colecção de livros e partituras. Assim, desde cedo que Stravinsky começa a ter lições particulares de piano e depois, ao mesmo tempo que estudava direito na sua cidade natal, tinha aulas teóricas, sendo seu professor Rimsky-Korsakov. As influências de Rimsky-Korsakov e da envolvente cultural da sua cidade foram enormes.
Convencido pela qualidade de jovens artistas que então surgiam na Rússia e que tinham como principal objectivo retirar o país do marasmo em que se encontrava, Diaghilev organiza uma série de exibições de arte russa em Paris.

A estreia deste bailado deu-se no dia 25 de Junho de 1910 na Ópera de Paris, sob a direcção de Gabriel Pierné, coreografia de Michel Fokine, cenários de Léon Bakst e Alexandre Golovine e nos papéis principais a bailarina Tamara Karsavina e o próprio Fokine. Está, assim, aberto o caminho a uma série de marcantes colaborações entre o compositor e os Ballets Russes.
No primeiro ensaio Stravinsky teve de explicar a música aos instrumentistas e aos bailarinos que, confusos com uma sonoridade tão inesperada, faltaram a todas as suas entradas. Até Pavlova que havia sido destacada para o papel principal desistiu, alegando que não compreendia a música.
Este bailado em duas cenas, baseado na lenda russa do Pássaro de Fogo, tem uma orquestração rica e com grande influência de Rimsky-Korsakov e do folclore russo, apesar das várias inovações que apresenta.
A história deste bailado centra-se na figura de um herói, o Príncipe Ivan Tsarevich que, enquanto vagueia pela floresta, encontra o mágico Pássaro de Fogo, acabando por captura-lo. Em troca da sua liberdade, o Pássaro de Fogo promete ajudar Ivan em qualquer situação de perigo. Mais tarde, o Príncipe encontra o castelo encantado de Kashchei – o Imortal, perdendo-se de amores por uma das 13 donzelas que encontravam prisioneiras no palácio. Entretanto, ela entra no castelo e Ivan, destroçado pela sua partida, decide persegui-la. Kashchei captura-o de imediato, mas o Príncipe, lembrando-se da promessa do Pássaro de Fogo, agita a pena que este lhe havia dado e, de imediato, o Pássaro aparece pondo Kashchei e os seus monstros a dançar uma frenética dança, caindo depois num sono profundo. O Pássaro de Fogo revela a Ivan qual o segredo da imortalidade do mágico rei, conduzindo-o à fonte de poder de Kashchei – um enorme ovo que contem a sua alma. Ivan quebra-o e o rei morre. Com a morte de Kashchei, desaparece também o castelo, libertando a donzela com quem Ivan acaba por casar.
A partir deste bailado, Stravinsky compôs mais três suites orquestrais em 1911, 1919 e 1945.
Apesar das críticas, principalmente ao nível da história, esta é uma obra de referência que dá ao jovem Stravinsky uma grande visibilidade no meio cultural parisiense, o mais importante de então.
As duas cenas estão divididas em 19 partes, sendo estas: 1. Introdução; 2. Primeira cena: O jardim encantado de Kashchei; 3. Aparição do Pássaro de Fogo a Ivan; 4. Dança do Pássaro de Fogo; 5. Ivan captura o Pássaro de Fogo; 6. O Pássaro de Fogo suplica a Ivan; 7. Aparecimento das 13 princesas encantadas; 8. O jogo das princesas com as maçãs de ouro; 9. Ivan aparece subitamente; 10. “Khorovode” (dança de roda); 11. Aurora; 12. O carrilhão mágico – Aparição dos monstros – Captura de Ivan; 13. Chegada de Kashchei – o Imortal – Diálogo com Ivan – As princesas intercedem; 14. Aparição do Pássaro de Fogo; 15. Dança de Kashchei sob o encantamento do Pássaro de Fogo; 16. Dança Infernal; 17. Canção de Embalar; 18. Kashchei acorda – Morte de Kashchei; 19. Segunda cena: Dissolução dos encantamentos de Kashchei e grande júbilo final.

O própio Stravinsky, em 1965, a dirigir a versão de 1945.

Dança do Pássaro de Fogo, por Diana Vishneva

O Pássaro de Fogo suplica a Ivan, pelo Royal Ballet

Dança infernal, pelo Royal Ballet

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cronologia dos Ballets Russes

Temporada de 1909:
- Les Sylphides (originalmente: Chopinian) – Coreografia: Fokine; Música: Chopin

- Le Pavillon d'Armide
– Coreografia: Fokine; Música: Tcherepnine; Cenário e Adereços: Alexandre Benois


- Le Festin, suite de danses – Coreografia: Fokine; Música: Vários compositores russos

- Polovtsian Dances from Prince Igor
– Coreografia: Fokine; Música: Borodine; Cenário e Adereços: Nicholas Roerich

- Cléopâtre
– Coreografia: Fokine; Música: Arensky e vários compositores russos; Cenários e Adereços: Léon Bakst


Temporada de 1910:
- Les Orientales – Coreografia: Fokine; Música: Vários compositores russos

- Carnaval
– Coreografia: Fokine; Música: Robert Schumann ; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- Schéhérazade
– Coreografia: Fokine; Música: Rimsky- Korsakov; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- L'Oiseau de Feu
– Coreografia: Fokine; Música: Stravinsky ; Cenários e Adereços: Léon Bakst e Alexandre Golovine

Temporada de 1911:
- Pétroushka – Coreografia: Fokine; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Alexandre Benois

- Le Spectre de la Rose
– Coreografia: Fokine; Música: C. M. Von Weber; Cenários e Adereços: Léon Bakst


- Narcisse
– Coreografia: Fokine; Música: Tcherepnine

- Sadko
– Coreografia: Fokine; Música: Rimsky-Korsakov







Temporada de 1912:

- Le Dieu Bleu – Coreografia: Fokine; Música: Hahn; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- L’aprés-midi d’un faune
– Coreografia: Nijinsky; Música: Debussy; Cenários e Adereços: Léon Bakst e Odilon Redon


- Daphnis et Chloé
– Coreografia: Fokine; Música: Ravel; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- Thamar
– Coreografia: Fokine; Música: Balakirev; Cenários e Adereços: Léon Bakst

Temporada de 1913:
- Jeux
– Coreografia: Nijinsky; Música: Debussy; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- Le Sacre du Printemps
– Coreografia: Nijinsky ; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Nicholas Roerich


Temporada de 1914:
- La légende de Joseph – Coreografia: Fokine; Música: Richard Strauss; Cenários e Adereços: Léon Bakst

- Tragédie de Salomè
– Coreografia: Romanov; Música: Schimtt; Cenários e Adereços: Sudeykin

- Le Coq d’Or
– Coreografia: Fokine; Música: Rimsky-Korsakov; Cenários e Adereços: Natalia Goncharova
Temporada de 1915:
- Soleil de Nuit – Coreografia: Massine; Música: Rimsky-Korsakov; Cenários e Adereços: Mikhail Larionov


Temporada de 1917:
- Parade – Coreografia: Massine; Música: Satie; Cenários e Adereços: Picasso

- Les Femmes de Bonne Humeur
– Coreografia: Massine ; Música : Scarlatti

- Contes Russes
– Coreografia: Massine; Música: Liadov

Temporada de 1919:
- La Boutique Fantastique – Coreografia: Massine; Música: Rossini e Respighi; Cenários e Adereços: Derain

- El Sombrero de Tres Bicos
– Coreografia: Massine; Música: Falla; Cenários e Adereços: Picasso


Temporada de 1920:

- Pulcinella – Coreografia: Massine; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Picasso

- Astuzie femminili
– Coreografia: Massine; Música: Cimarosa

- Le chant du Rossignol
– Coreografia: Massine; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Matisse
Temporada de 1921:
- Chout – Coreografia: Larionov; Música: Prokofiev; Cenários e Adereços: Larionov

- Sleeping Princess
– Coreografia: Marius Petipa; Música: Tchaikovsky; Cenários e Adereços: Léon Bakst


Temporada de 1922:
- Renard – Coreografia: Nijinska; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Larionov


Temporada de 1923:
- Les Noces – Coreografia: Nijinska; Música: Stravinsky; Cenários e Adereços: Goncharova








- Les Tentations de lá bergère
– Coreografia: Nijinska; Música: Montecláir
Temporada de 1924:
- Les Biches – Coreografia: Nijinska; Música: Poulenc; Cenários e Adereços: Marie Laurencin

- Le Train Bleu
– Coreografia: Nijinska; Música : Milhaud ; Cenários e Adereços : Laurens; Coco Chanel; Picasso

- Les Fâcheux
– Coreografia: Nijinska; Música: Auric; Cenários e Adereços: Braque


Temporada de 1925:

- Zéphyr et Flore – Coreografia: Massine; Música: Dukelsky

- Les Matelots – Coreografia: Massine; Música: Auric; Cenários e Adereços: Pruna


Temporada de 1926:
- Jack in the box – Coreografia: Balanchine; Música: Satie; Cenários e Adereços: Derain

- Pastorale – Coreografia: Balanchine; Música: Auric

- Barabau – Coreografia: Balanchine; Música: Rieti

- Romeu et Julliet – Coreografia: Nijinska; Música: Lambert

Temporada de 1927:
- La Chatte – Coreografia: Balanchine; Música: Sauguet; Cenários e Adereços: Gabo

- Le Triomphe de Neptune
– Coreografia: Balanchine; Música: Berners

- Pás d’Acier
– Coreografia: Massine; Música: Prokofiev; Cenários e Adereços: Jaculov

- Mercure
– Coreografia: Massine; Música: Satie; Cenários e Adereços: Picasso